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Expo de Moda 2016: produzindo um look com peças de garimpo

Todos os anos, duas vezes no ano, na verdade, em junho e novembro, eu participo do desfile dos Fashionistas na Expo de Moda / Made in Bahia, respectivamente. A convite da produção do evento, garimpamos peças entre os expositores da feira para montar um look que vai à passarela em uma modelo. Este última edição aconteceu na Arena Fonte, em um tamanho um pouco menor, mas com a mesma movimentação de eventos e desfiles de sempre.

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Foto: Sophia Litzinger

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Meu primeiro convite foi em 2012 e eu fiquei muito empolgada com a possibilidade de viver a experiências de produção de desfile. Pensar no look, pesquisar as peças, arrumar a modelo e toda a agitação de um backstage era uma coisa muito nova para mim e eu não podia perder essa oportunidade. Eu já sabia de alguma forma que era nisso que eu queria trabalhar. De lá para cá foram 09 participações e a evolução é visível nos looks que fiz e na agilidade do trabalho.

Dessa vez, fui apenas no sábado mesmo e produzi tudo horas antes do desfile, com uma super tranquilidade. Trinta minutos antes de entrar na passarela já estava tudo pronto e eu sentadinha esperando o início da apresentação. No início eu demorava muito mais tempo para produzir porque normalmente partia de um processo um tanto equivocado para esse tipo de trabalho. A produção na feira é um garimpo, ou seja, tenho que usar o que eu achar por lá. Eu ia com uma ideia já formada na cabeça e corria atrás de achar itens que se moldassem a essa ideia. Só que muitas vezes eu não conseguia encontrar o que eu queria e tinha que alterar tudo na hora da produção. Isso me gerava mais tempo de pesquisa nos estandes e mais de uma dia rodando na feira.

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Tudo ficou mais fácil quando passei a entender que produzir com garimpo requer a mente livre de pré produções. A gente faz um ronda geral, dá uma conferida no que tem a nossa disposição e a partir daí começa a pensar no look. Normalmente seleciono uma peça chave que encontrei na feira, com alguma informação de moda, e escolho o resto tomando ela como base. Para esta edição, por exemplo, eu parti do colete branco da Rafa Sampaio Store. Com ele em mãos, pensei nas outras opções de peças que vi na primeira ronda que fiz na feira, defini uma estética para o look, e assim retornei aos lugares onde tinha visto peças que se encaixavam na proposta. Tudo resolvido em duas voltas no evento, em um mesmo dia.

Quando a produção é feita livremente, em marcas diferentes, em diversos lugares, acontece o oposto. A gente parte de um briefing, uma estética pré definida e busca as roupas e acessórios para suprir essa necessidade. Mas em um evento como esse, as opções são mais limitadas, então o processo inverso é mais fácil. Mas essas coisas a gente aprende com o tempo e experiência, não é mesmo? Apesar de sempre ter algumas técnicas que todo mundo geralmente usa, eu acho que não existem regras, cada um pode criar seu método, descobrir a forma melhor de trabalhar. Mas é sempre bom trocar experiências e aprender com o outro. Alguém aí também faz produção de moda para dar outras dicas?

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