Moda

Moda Sustentável – 10 ideias empreendedoras

Quando a gente estuda moda, a gente aprende e entende que ela é reflexo do tempo e espaço no qual vivemos. Moda é muito mais que roupa, é comportamento, e o que escolhemos comprar e vestir tem tudo a ver com o que está acontecendo ao nosso redor. Estamos em um período bastante conturbado: crises, conflitos, guerras, problemas ambientais se agravando… Já parou para reparar que em períodos como este, é natural que as pessoas procurem focar suas atitudes para de alguma forma tentar melhorar o seu entorno? E aí que a busca por soluções mais sustentáveis começa a ganhar força, em diversas áreas, inclusive na moda.

Além de todo esse movimento de alimentação saudável, produtos orgânicos e atividades físicas, o nosso consumo de moda também pode refletir em uma melhora para o ambiente que habitamos. Sim, não é fácil abrir mão de hábitos que já internalizamos há tempos, mas pequenas atitudes podem impulsionar uma mudança do nosso pensamento. Tem muita gente buscando soluções interessantes para levar o mundo da moda a um caminho menos agressivo ao nosso ambiente e ainda assim ser viável, porque moda também é negócio e quem trabalhar com ela precisa ganhar dinheiro e pagar suas contas, não é mesmo?

Nas minhas leituras diárias pela internet, tenho encontrado muita coisa boa sendo feita, e assim resolvi dividir com vocês 10 ideias sustentáveis e empreendedoras na Moda. Olha só quanta ideia legal!

1. Banco de Tecidos

O Banco de Tecidos é uma ideia  da figurinista Lu Bueno, que pensou em uma forma de reaproveitar as sobras de tecidos que usava em seus trabalhos. “Sempre guardei o que restava e, quando vi, tinha quase uma tonelada de tecidos acumulada“, explica. “Comecei a trocar com alguns amigos e então percebi que tinha um bom negócio em mãos.”

Lá você pode comprar os tecidos por quilo (seja ele seda pura ou algodão, tem o mesmo preço), trocar ou mesmo deixar o seu material e ficar com um crédito para usar na loja. Além de ser uma opção de matéria prima com um preço muito bom, há o diferencial de um acervo com tecidos antigos e exclusivos, que talvez nem existam mais no mercado convencional. Todo um material que poderia estar indo para o lixo, vira matéria prima para novas ideias! Queria muito poder ir conhecer, vai ficar anotado para uma próxima visita à São Paulo!

Site:  http://www.bancodetecido.com.br/

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2. Enjoei

O Enjoei é um velho conhecido por aqui. Já falamos muito dele, até porque o Vitrine Virtual tem essa origem, nasceu falando de brechós virtuais. Naquela época eles eram inúmeros e a gente conseguia comprar e vender entre si. Hoje, é mais difícil ver brechós online individuais, mas o Enjoei está aí firme e forte para mostrar que roupa usada, quando em bom estado, pode ser passada adiante sem problemas e ser um excelente negócio.
O site que começou pequeno e hoje é um mega e-commerce que fatura 30 milhões por ano!! “Mas começamos com formato de blog mesmo“, conta Ana Lu McLaren, dona do site . “Quem queria vender ou comprar alguma peça, precisava entrar em contato diretamente comigo por e-mail.” E eu lembro dessa época! Ainda acho os preços por lá um tanto altos – quem estabelece os valores é próprio dono da peça – o que somado ao frete acaba deixando algumas compras desvantajosas, especialmente se você comparar com brechós nos Estados Unidos e Europa, onde os preços são muuuito convidativos.

Site: http://www.enjoei.com.br

3. Dress & Go

Loja de aluguel de vestidos não é nenhuma novidade, eu sei. Mas o que faz a Dress & Go se destacar é que além de ser online – e assim atender a clientes de qualquer lugar do país – eles oferecem vestidos de marcas e estilistas conhecidos, com modelos atuais. Nada de tafetás e cetins com cara de Djalma Noivas.. rs “Estamos em contato com outras grifes de fora para trazer ainda mais novidades. Sempre atualizamos as coleções das marcas, mas mantemos também as anteriores”. conta Bárbara Almeida, sócia do site. Vamos combinar que vestido de festa é um dos menores CPU’s (custo por uso) que existe, né? A gente normalmente paga muito caro pela peça e usa pouquíssimas vezes. Depois, deixa lá guardado no armário esperando outro evento aparecer… Alugar pode sim ser uma ideia boa: você investe menos e não fica com coisa acumulada em casa.

Outra ideia similar é Bo Bags, que tem a mesma pegada: bolsas de grifes e modelos atuais, para serem alugadas por uma temporada. Já fui muito apaixonada por bolsas, a ponto de querer várias para mudar todo dia. Mas hoje, particularmente, prefiro comprar poucas e boas e não variar tanto. Mas para quem gosta de variar, talvez alugar seja uma opção. O aluguel também é interessante para quem está planejando comprar aquela bolsa específica mas prefere experimentar por uns dias para saber se ela se adéqua mesmo ao seu guarda-roupa, rotina, etc

Sites: https://www.dressandgo.com.br  | http://bobags.com.br/

4. Lena Biblioteca Fashion – “Collect moments, not things”

A Lena é como um biblioteca, só em vez de pegar livros emprestados, você pega roupa. Elas tem um acervo enorme, onde cada peça tem uma pontuação e você pode alugá-las de acordo com a pontuação que você tem de crédito com o seu plano de assinante.  A assinatura que custa a partir de 19,95 euros, valor equivalente a 200 pontos. Daí você usa os seus créditos como prefere – pode usar todo para uma peça mais “cara” ou dividir os pontos em peças mais “baratas” – e não há prazo máximo para a devolução da peça.

Para as criadoras da Lena, o legal disso tudo é  ter o sentimento de vestir algo novo sem precisar sair comprando desenfreadamente. Pena que a loja funciona apenas em Amsterdã, mas há projetos para levá-la para as grandes cidades da Europa.Será que não tem ninguém pensando em algo parecido por aqui?

Site:  http://www.lena-library.com/english/

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5. Projeto Quid

A proposta do Projeto Quid é algo simples: a utilização de materiais descartados pelos grandes indústrias têxteis do norte da Itália para a criação de uma coleção própria para a venda. Ou seja, em vez de comprar tecidos e outras matérias prima, eles usam as sobras das grandes empresas, aquilo que iria para o lixo.  As peças são únicas e toda a produção é feita por mulheres de comunidades carentes. O produto é vendido em duas lojas próprias e em várias outras lojas, na Itália. E para vocês terem noção de como isso pode dar certo, saibam que o volume de negócios do Quid foi de 240 mil euros e espera-se que atinja os 330 mil em 2015. Simples e eficiente!

Site: http://progettoquid.it

6.  Alexandre Herchovitch – reaproveitamento de tecidos de uma coleção para outra.

Mais uma vez, um exemplo maravilhoso de reaproveitamento de material de sobra! O Herchcovitch conta em uma reportagem do FFW como ele reaproveita sobra de tecidos de coleções anteriores para criar as novas. Às vezes, o tecido é usado sem nenhuma alteração, por outras, ele pode ser tingido ou estampado para ter uma cara nova. O lindo disso tudo é ver a criatividade a favor da sustentabilidade! Muito interessante ver comparativo do tecido em cada uma das coleções, a antiga e a mais nova!
Imagine que tudo isso poderia ser jogado fora, ou mesmo que ficasse lá estocado, ia fazer com que ele comprasse mais um monte de material sem necessidade, gerando mais consumo. Atitude boa para o meio ambiente e bom pro bolso também!

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Veja mais fotos dessas transformações na reportagem do FWW.

7. Insecta Shoes

Sabe quando uma coisa leva à outra? A maioria dos exemplos aqui listados eu já tinha guardado em uma pastinhas, achados em leituras aleatórias. Mas a Insecta eu achei  durante a minha pesquisa esse para esse post especificamente, porque tem tudo a ver com a proposta.
É uma marca de sapato que tem roupas usadas como matéria prima para seus calçados  “Os mais diversos tecidos e estampas daqueles modelitos abandonados viram botas e oxfords veganos, sem nenhum uso de matéria-prima de origem animal.” Não é sobra de tecidos, é aquela roupa que já foi usada, que tem uma história e que vai dar origem a um sapatinho único, exclusivo.

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Site: http://www.insectashoes.com/

8. Re/Done

Assim com a Insecta, a Re/Done usa roupas usadas para fazer roupas novas. Mas aqui a matéria prima é jeans antigo que vira jeans com cara de novo. Eles são descosturados para servirem de base para as modelagens padrão da marca: relaxed straight, straight skinny, the high raise, walking short e the short.  Cada peça é única, pois nascem de uma outra peça que também é única e já tem uma “história de vida”, transformando-se com uma modelagem atual e atraente. Eles utilizam métodos de conservação de água e sem produtos químicos para a lavagem do jeans. A sede da marca é em Los Angeles, mas dá para comprar online e eles entregam no Brasil. ;)

Site: http://shopredone.com/

9. Euzaria

A ideia é simples, mas muito bacana: a cada camiseta comprada uma é doada, “novinha e cheirosa – que vai com a sua dedicatória.” As ações sociais são realizadas em eventos programados em instituições e comunidades  e no site e redes sociais da marca, a gente pode acompanhar por onde eles passam distribuindo esse carinho em forma de t-shirt.
Acreditamos que empresas podem e devem agregar valor à vida dos consumidores e contribuir positivamente para a sociedade. Fazer o bem e ser rentável podem e devem caminhar lado a lado. O mundo está precisando de nós.” Tem um videozinho muito legal onde eles mostram um pouco do processo criativo, quem participa desse processo de criação e confecção e a camiseta chegando até as pessoas. (aqui). E se você acha que a ideia de vender uma camiseta e doar outra não dá certo, que não é viável, saiba que em um mês de vendas online a Euzaria vendeu mais de 1.400 unidades!! E o investimento inicial dos sócios já pago, sendo que na segunda remessa de produção, a empresa já estava saudável, se pagando sem necessidades de aportes, explicou José Pimenta, sócio da marca, à revista B+. Viu como solidariedade também pode ser um bom negócio?

Site: http://loja.euzaria.com.br/

10. Lab Fashion Coworking & Moda

Coworking é um modelo de trabalho baseado no compartilhamento, de espaço, de recursos, de ideias… O Lab Fashion é um espaço de coworking voltado para a Moda, com uma infra-estrutura voltada para quem quer desenvolver suas ideias na área –  manequins, araras, máquinas de costura, material de colorimetria e prancheta de desenho, provadores, sala de reunião, estúdio. Eu amo esse tipo de movimento, queria muito que tivesse algo assim aqui em Salvador, voltado para a área de moda. Menos custo para quem está começando e não poder arcar com as despesas de ter um local de produção e criação próprios, e a possibilidade de trocar ideias e experiências com outros profissionais. O Lab Fashion fica em São Paulo.

Site: http://www.labfashion.com.br/

O post foi grande, mas é porque merece! São ideias tão bacanas, que vale a pena você clicar em cada um dos links para conhecer, se inspirar e refletir. Quem sabe daí também não surge em você a vontade de também criar algo para melhorar o que está a sua volta? E se você souber de algum outro negócio de moda sustentável, conta aí nos comentários! É muito bom compartilhar essas descobertas! Quanto mais ideias inspiradoras, melhor!

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