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Diário de uma estudante de moda: Silhuetas de papel, o trabalho.

Agora que eu voltei a ter vida, o blog ressurge das cinzas. Caramba, essas últimas semanas foram muito cansativas e estressantes. Juntar provas, entregas de trabalhos, job na Made in Bahia e cobertura de eventos para o blog é pedir para terminar a semana acabada!  Então, depois de alguns dias de descanso vou tentar atualizar vocês dos acontecimentos. A começar contanto sobre todo o processo da confecção do nosso “trabalho mais trabalhoso” de final de semestre: a roupa de papel.

Desde que começou as nossas aulas a gente sabia que essa hora ia chegar. Já tínhamos visto a exposição dos trabalhos do semestre passado e a professora avisou que logo mais ia ser a nossa vez de fazer os tais figurinos de papel. O trabalho é o seguinte: a professora de História da Moda determinou uma período da História para cada equipe e a minha ficou com os anos 80.

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A primeira parte do processo é definir qual seria o estilo a ser representado e qual look reproduzir. A gente até queria fazer Madonna, mas por motivos de cunho histórico a professora nos “convenceu” a fazer um look Yuippe. Ok, vamos fazer a Yuppie mas a nossa manequim vai continuar se chamando Madona..hahaha

Pausa para um pouco sobre os anos 80 e esse movimento mega importante para época. Talvez para você – e para mim também era assim – os anos oitenta foi marcado pelo visual physical, ou seja, malhas, polainas, brincos enormes etc e tal. Mas a verdade é que foi um período super rico, com uma variedade enorme de tribos e grupos, uma época na qual você não precisava seguir um padrão vigente, havia estilos para todos os gostos. Os Yuippies – young urban professionals  – eram os jovens no mercado de trabalho, consumistas e preocupados em alcançar o sucesso e poder, gostavam de imprimir esses valores através das roupas e sapatos de marcas, relógios. Na moda isso foi materializado nos ternos caros e bem cortados, tanto para homens quanto para mulheres. Aliás, para as mulheres as ombreiras eram super importantes pois representava poder de se equiparar ao homens no mercado de trabalho.  

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Assim a gente escolheu uma foto como referência e partiu para ação. Como no semestre passado tinham feito um conjunto de saia e blazerfechado, para não ficar igual optamos por uma calça cenoura, colete e blazer aberto, para aparecer o colete e o cinto. E aí veio o drama, porque não foi fácil fazer uma calça de papel. Tivemos que usar o crepom, porque era o único que encontramos nas papelarias daqui com maleabilidade suficiente para cobrir a perna do manequim sem amassar. Fizemos o molde e cortamos, com se fossemos costurar mesmo.  A maioria da equipe não sabia muito de modelagem, já que essa matéria a gente só vê no segundo semestre, mas uma colega já tinha noção e salvou a pátria. Colamos tudo com fita adesiva dupla face. Mantivemos o mesmo tipo de papel para o colete, mas aí só precisamos fazer a frente, já que as costas ficaria coberta pelo blazer. Fizemos o detalhes de papel camurça e então chegou  a parte mais complicada: o blazer e suas ombreiras. Aí a modelagem não adiantou muito não. Serviu para o corpo do blazer, mas as mangas a gente teve que fazer no improviso. Fizemos uma base de papel para criar o volume nos ombros e então cobrimos com o papel camurça (Valeu, Marília pela dica e pela ajuda!). Aliás, a gente ia continuar com o crepom, mas a professora interviu e sugeriu a mudança para o camurça preto para valorizar, já que o crepom ai ficar muito fino e transparente. Sugestão aceita! De fato, o blazer ficou bem mais bonito em preto.

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Foram duas semanas de estresse, mudanças de planos, preocupações, ansiedade – teve gente que teve até pesadelo com as manequins! – mas no final deu nisso aí e a gente ficou muito feliz e orgulhosas do resultado do nosso trabalho. Digo nosso, não só da minha equipe, mas da turma toda, unida,  ajudando uns aos outros. Divido aqui com vocês a experiência para a quem interessar, conhecer um pouco da nossa rotina de estudantes de Moda e dos nossos trabalhos acadêmicos. É mais ou menos assim: muito esforço, muito estresse, pouco glamour, mas muita felicidade com o resultado. E que venham os próximos desafios!

Para ver os manequins de todas as equipes, desde a época medieval até o anos 80, vai no álbum que está na fanpage do blog no Faceboo (clique aqui)

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07
dez

SPFW na vida real: 03 propostas de Wagner Kallieno

Quase zarolha de tanto de ver desfile, posso dizer que tenho o meu favorito: Wagner Kallieno. Ok,talvez esse não tenho sido o mais criativo e mirabolante do desfiles da SPFW, mas essa é uma escolha completamente pessoal, afinal esse é meu blog e eu escrevo em primeira pessoa, levando em conta o meu estilo e preferências. Se você reparar nas cores e formas escolhidas pelo estilista potiguar, vai ver que tem tudo a ver com o que eu atualmente gosto: minimalismo, conforto, geometria, cores neutras.

Desse desfile, acho que dá para tirar três ideias boas para o dia a dia: o conforto do moletom combinado com uma peça mais sofisticada; o uso do colar por cima da gola e o look monocromático em materiais e texturas diferentes.

Moletom chic

Queria muito que Salvador tivesse um inverno menos descarado e nos proporcionasse um pouquinho de frio para eu poder usar moletom mais vezes. Ô peça que é a cara do conforto! A ideia aqui é combinar com uma parte de baixo mais arrumadinha para não ficar com jeitão de roupa de academia, tipo moletom + saia lápis, moletom + calça social, moletom + calça de couro.

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Gola rolê + colar
A gente sempre acha que colar só vai bem se a blusa tiver decote, né? Tem até uma regrinhas de qual tipo de colar fica melhor para determinado tipo de decote. Mas a gente pode quebrar essas regras e usar colar mesmo com a gola lá em cima, não só a rolê, mas a gola de camisa mesmo, toda fechadinha até o último botão.

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Monocromático com texturas
Um look todo preto não precisa ser sinal de monotonia. Nos looks do Wagner a mistura de dois materiais fazem da combinação algo bem mais interessantes. Ele usa o moletom preto de algodão + saia lápis em vinil também preto. Só que um é fosco, o outro brilhante, aí a gente consegue bem ver as duas peças. Em casa dá para fazer com a peça que você tiver, tipo renda + couro, seda + brim, e por aí vai.

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Não que essas sejam ideias revolucionárias, nada nunca pensado antes, não é isso… É só para gente analisar e observar com calma e ver que apesar de o que vemos na passarela às vezes parecer inacessível – ou porque é muito alegórico ou porque é muito caro – algumas ideias de forma isoladas podem ser usadas na prática sim. Vale fazer esse exercício de observação!

11
nov

Diário de uma estudante – Toda matéria é importante de alguma forma

Quando pensei em fazer essa série, eu queria mesmo fazer um relato do meu dia a dia na faculdade. Percebi, no entanto, que eu sou do tipo que quer abraçar o mundo, que acha que dá conta de tudo, mas não sou a rainha da organização e disciplina. Resultado: não consigo mais postar com a regularidade que eu desejo. Sendo assim, para esse semestre, decidi que vou fazer alguns textos com meu ponto de vista acerca de alguns tópicos específicos e o de hoje é a importância de todas as disciplinas na nossa formação.

Eu tenho certeza que o fato de essa ser minha segunda faculdade me faz ver as coisas de um modo totalmente diferente de quem é mais novo e tá começando a vida acadêmica agora.  Quando decidi voltar a estudar, eu o fiz porque queria aprender, me preparar para trabalhar com moda da melhor maneira possível. Eu já tenho um diploma, não estou lá só para dizer que tenho terceiro grau completo. Ninguém me obrigou a fazer faculdade de moda, eu escolhi estar lá e quero aproveitar cada coisa que o curso tem a oferecer, porque eu não acredito que uma grade curricular é feita de forma aleatória. Por mais que a gente possa achar determinados assuntos iniciais um saco, eles com certezas são importantes apesar de a princípio não enxergamos como.

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Foto meramente ilustrativa. ;)

Hoje eu tenho um visão maior desse mercado, tenho total consciência de que a moda é uma indústria, que fatura bilhões, gera inúmeros postos de emprego. Criar, desenhar, costurar, desfilar… é tudo muito mágico, tudo muito lindo. Mas para que essas coisas aconteçam precisa preparo, planejamento,organização, gestão. Moda é negócio e a não ser que você não queria pagar suas contas e viver só de luz, ela precisa dar dinheiro. Por isso, sim, ter noções de economia é importante! Tem que saber o que é inflação, política cambial, como a taxa de juros afeta seus negócio e mais um série de coisas que parecem chatas… Não adiantar nada ser cheio de talento e não gerir bem a marca. Aí você pensa: ah! mas eu posso contratar alguém para fazer isso para mim quando eu tiver minha marca! Só que a faculdade não é feita só para você, meu bem! Tem gente, como eu por exemplo, que quer saber gerir seu próprio negócio de moda ou que quer trabalhar para uma grande rede ou marca de moda nessa área. Ou seja, a disciplina é importante para formar um profissional de moda porque o mercado tem demanda para esse tipo de trabalho. Sendo assim, Economia, check!

Aí que eu ainda tenho Psicologia e Comunicação. Preciso dizer que seja a área que for a gente precisa saber escrever, se comunicar, entender o que tá escrito, etc., etc.? Não né? Nem vou me alongar nesse ponto porque me parece óbvio. Só abro um parênteses para um pequena crítica: podia aproveitar a matéria para ensinar as novas regras de ortografia também porque eu tenho várias dúvidas e acho que seria de muita valia para todo mundo, já que mesmo com a ortografia antiga as regras não eram tão simples. Quanto a Psi, para a Moda, acho muito interessante entendermos um pouco do comportamento humano, já que lidamos com desejos, auto estima, emoções..  Criar para um público alvo é acima de tudo saber o que oferecer antes mesmo dele saber o que quer. Sendo assim, Comunicação e Psicologia, check!

Sobrou Sociedade, Cidadania e Direito, que é outra matéria que está no que eles chamam de Eixo Humanístico do nosso currículo. Taí uma matéria que poderia ter sido melhor aproveitada. Ótima oportunidade para aprender melhor Direito do Consumidor pela visão do empresário (afinal vamos estar do lado de lá, vendendo nossas criações e é preciso saber o que podemos ou não fazer), Direito Trabalhista (para lidar com funcionários e terceirizados), um pouco de Tributário.. Mas não tivemos nada disso. Uma pena!   Ficamos só na discussão sobre trabalho escravo, que também é mega importante, mas não é só isso, né…

Enfim, essa parte do curso acabou na semana passada (fiz a segunda prova para as quatro matérias) e eu tenho uma grande esperança de que eu não precisa fazer a terceira avaliação, vulgo prova final. Mas otimista que sou, mesmo com os percalços de alguns assuntos mal aproveitados, eu tentei tirar o máximo de cada matéria e tentar trazer esses ensinamentos para o meu dia a dia na moda, porque eu sou daquelas que acha que conhecimento nunca é demais! ;)

11
nov

SPFW na vida real: Camisa branca da Animale

Passados todos os desfiles da semana de moda, é hora da editoras de moda e suas equipes sentarem para transformar toda aquela informação em pauta. Queria eu ter uma super equipe ou ao menos trabalhar em super equipe de revista para cobrir o evento! Mas por aqui sou apenas eu sozinha mesmo então, aos poucos vou soltando algumas ideias.

Antes eu tinha muito bode da SPFW porque achava um saco ver um monte de desfile com um monte de roupa que eu achava pouco acessível para a maioria de nós. Mas a vida passa, a gente cresce e aprende que a depender do seu olhar dá para tirar muita informação útil de todas essas propostas que os estilistas trouxeram e então adaptar para nosso estilo de vestir e viver. Para começar então, queria falar da camisa brancas da Animale.

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Essa peça tão básica que quase todo mundo tem no armário foi um dos destaques da coleção que o Vitorino Campos criou para a marca. Só que na proposta dele, ela veio com uma modelagem mais ampla, quase boyfriend (tipo peguei a camisa no armário do namorado), sem botões, gerando um suuuper decote. Sexy, minimalista, contemporânea. E o quê dá para tirar dessa proposta para usar na nossa vida de gente que trabalha, estuda, anda na rua e não na passarela?

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Primeiro, o tamanho. Sim, é tempo de apostar em uma camisa menos ajustadinha no corpo e assumir o conforto de uma camisa mais folgada. Aliás, o desfile é de inverno mas a proposta também tem tudo a ver com verão, que combina com frescor que as roupas mais soltinhas proporcionam.

Segundo, o decote. Não vai precisa ser tão profundo como o desfile, mas ao deixar os primeiros botões abertos a gente já consegue um bom decote em “V”, que é ótimo para alongar e silhueta e dá um toque “sexy sem ser vulgar“.

Por fim, se você tiver um namorado bem maior que você, dá para usar a camisa como vestido, igual ao primeiro look que entrou na passarela. Boa ideia para renovar o uso da camisa branca, né?

Aí, vai dizer que não dá pra tirar umas inspirações boas para vida real, com o que a gente já tem em casa, do que vê nas semanas de moda?

10
nov

Três dicas de estilo no look da Marina Ruy Barbosa

A SPFW começou segunda-feira, já estamos no terceiro dia e eu estou toda atrasada na cobertura! Como sempre! Fico naquela de deixar para ver tudo depois e fazer um resumão aqui para o blog, mas já vi que essa história de acumular não funciona. Então, vou começar minha humilde cobertura com look de celebridade porque ainda não terminei meu resumo do primeiro dia.

Primeira coisa: milagre Marina Ruy Barbosa não estar de renda, bordados e brilhos. Só isso já me chamou a atenção. Segunda coisa: dá para tirar uma boas dicas dessa composição dela – ou do stylist dela, vai saber? – para nossa vida. Por isso, a escolhi para nosso segundo post da sessão “look do dia com informação“. O primeiro foi aquele look da da Olivia Palermo (clica aqui para ver).

Eu sei que ela é magrinha, toda em forma e não precisa de truques disfarçar nada, mas esse look aí que ela escolheu pode funcionar para outros tipos de corpos também. Anota as dicas!

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Dica 01: look monocromático + mix de materiais

Ela tá toda de azul, em tons diferentes, mas a cor é a mesma em todas as peças que ela veste e a gente já conversou aqui que look monocromático ajuda a alongar a silhueta, lembram? E a composição também ficou interessante por contar com peças de materiais diferentes nessa mesma cor, no caso o couro + seda + jeans.

Dica 02: comprimento da saia
O comprimento da saia também é importante nessa hora. A Marina não é baixinha como eu, mas também não é super alta, ela tem 1,67. Mas quando a gente usa saia abaixo do joelho a tendência é parecer menor do que se é, já que encurta visualmente a nossas perninhas. Quando mais perna se mostra, mais alta – ou menos baixa, no meu caso – se parecer ser.

Dica 03: terceira peça.
Dos truques que esse look pode nos render, o que mais gosto é o da terceira peça. Nesse caso é ainda mais legal porque ela não escolheu um blazer, ou um casaco, ela foi de camisa jeans. Essas que a gente usa fechada, na sua função normal de camisa, nesse look fez as vezes do blazer/casaco. E essa versatilidade da peça serve não só para camisa jeans, mas para outros materiais também. Mas voltando a função da terceira peça, ela dá um “a mais” no visual, porque imagine aí como seria sem graça se ela não estive no look? Além disso, ela cria aquela velha e boa linha vertical na silhueta, que faz o olhar de quem nos ver ir de cima para baixo, e criar a ilusão de comprimento. A gente parece mais alta and mais magra porque ela também dá aquela escondida nos curvas do culote (para quem tem, né? não é o caso dela) se ela for mais escura que a peça de dentro.

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Então, deu para tirar uma ideias promissoras, né?  É muito legal ver, admirar um look bonito, e acho super natural querer reproduzir isso em si com as peças que temos em casa. Mas é importante analisar as informações por trás dessa escolha, o que essa composição pode favorecer seu corpo ou não, afinal, a gente quer mostrar o nosso melhor, não é mesmo? Valorizar nossos pontos fortes e disfarçar os “não tão fortes” é bacana e por isso precisamos entender que tem coisas que vão ficar bem na gente e outras não. Ninguém tem o copo  igualzinho ao do outro! Vale a pena experimentar as dicas, se olhar no espelho e se sentir bem e bonita, porque não vestir um look igual? ;)

05
nov